2016/04/26

O AZUL RIO AQUANDO O AZUL CÉU


Imagem – Gardenia by Gardenia – Art by Anna 2


O AZUL RIO AQUANDO O AZUL CÉU


Neste meu corpo, pávido e sereno,
Corre ainda o azul do rio, em ventos esquecidos;
Abrem-se portas, em lufadas de um moreno
Que avivam o passado, em modos mudos.

Neste meu olhar, estreito e resignado,
Corre ainda o verde do campo em flores adormecidas,
Reabrem janelas, em brístol doirado,
Que rodopiam o presente de outras vidas.

Neste meu ser há duas margens, bem nítidas,
Que me circunscrevem à natureza de vidas
Que fui e que ainda serei aquando o azul céu.

Neste meu ar corre o azul rio, orlando o níveo e o breu,
Que circunscreve meu destino, qual lerei um dia
Aquando as pálpebras corcovarem à romaria.

© RÓ MAR

2016/04/20

SONHEMOS




Sonhemos
 

Mas como não sonhar se o sonho aviva
as esperanças, fontes de conforto?
Não sonha quem está, por certo, morto,
sem ver a luz de alguma alternativa.

Navio em alto mar, sem ter um porto,
sem âncora, horizonte, perspectiva,
vagando ao léu e só, sempre à deriva,
é aquele que não sonha, vive absorto

pensando apenas só na vil matéria, 
que é fonte de poder e de miséria,
também de dor, que o sonho sempre abranda.

Sonhemos pois, que o sonho regenera
os tons azuis-lilases das quimeras,
dos versos das modinhas de ciranda.

2016/03/20

ÉS O MEU MAR DE AMAR...


Imagem - BLUE ART SCENERY


És o meu mar de amar…


És meu mar da cor da prata
Sob esse azul tão brilhante
Não quero a angústia que me mata
Nem a dor de qualquer instante
Contigo na vida tudo aprendi
Para agora outros ensinar
Ser forte como tu eu o senti
E agora solto as rédeas do meu amar
Num enredo que me tolheu
Minha alma caiu ferida
Nesse azul da cor do céu
Fi-lo por ti ó minha querida
Reconheço alguma ingratidão
Em quem te deveria sempre amar
Inebriar-te com a sua paixão
Mostrar como com jeito se deve dar.