2017/09/06

DE UM AZUL QUE AMOU O MUNDO


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DE UM AZUL QUE AMOU O MUNDO


Quem te compôs em flor
Foi de certeza o amor
De um beijo enamorado,
De um olhar tão azulado

Quanto um céu pré-estrelado;
Quem te amou tão intenso
Foi de certeza amado;
E, assim sente-se o incenso

Que perfuma outros dias
De um olor tão profundo
Quanto o mar que sorrias;

Quem te leu os traços da alma
Foi de certeza a calma
De um azul que amou o mundo.

© RÓ MAR

ÉS AZUL!




és azul!


meu azul esperança
nas cordas do tempo
como se fosse criança
espreito assustada
cheia de espanto
admiração na cor 
no traço e nuance 
como se estivesse em transe
aquele momento sem palavras
sem ruído e poluição
onde atracam as frases
limpidas do brilho e cheias de luz
daquele que nos fadou coração
que no universo produz
e ao mundo traduz-se
naquele azul azulado
de terra mar céu e ar
um fogo de respirar
a jovialidade de ser 
uma serenidade de estar
parada naquele tempo 
criança a olhar
a aprender e a ensinar 
a pôr a laca triunfante 
a todo o ser que amar
serás meu azul amante
na dimensão sextante

© carvalhosa'ana

2017/05/31

MAIO, NÃO VÁS EMBORA…!



MAIO, NÃO VÁS EMBORA…!


Maio, de cinco sentidos, que entre as flores 
Brota o primor de lindos amores,
Não vás embora sem antes deixar
Pelo caminho o teu doce perfumar!

Pelo caminho o teu doce perfumar
E em meu coração a flor, da primavera, 
De cinco estações, para bem recordar
Que és o mais belo mês e não a quimera!

Que és o mais belo mês e não a quimera,
De cinco sentidos, rodopiando ao acaso,
De um vento, de um solstício temperado,
De sonhos vai-e-vem, ah quem me dera!

De sonhos vai-e-vem, ah quem me dera
Ser balão de ar, de cinco estrelas, saltitar
Pelas orbitas de um só olhar a primavera,
Ainda em Maio, baloiçando o verbo amar!

Ainda em Maio, baloiçando o verbo amar,
Beijando num sempre o azul de um olhar!
Não vás embora sem antes ensaiar
A valsa, de cinco véus, mão em mão a par e par!

© Ró Mar

2016/11/03

SOU POEMA




SOU POEMA 


Eu sou poema – e um poema de corpo inteiro –
Sentindo-me nas mãos do meu fiel destino;
Este é o meu fado, quase desde pequenino,...
Num profundo horizonte justo e verdadeiro.

Eu sou poema, no abrir dos olhos da manhã
E dou comigo ouvindo as aves a cantar;
Sou poema quando vejo o dia a clarear
Tacteando a fresca brisa que passando está.

Eu sou poema co´ a cotovia a esvoaçar
Ouvindo extasiado o canto que ela dá;
Sou poema quando abarco todo o céu que há
Ao longe e ao perto, que a mim me faz cismar.

Eu sou poema quando te sinto à minha volta
Respirando comigo uma atmosfera azul;
Sou poema quando desço a encosta do paul
Donde me vem um estranho coaxar à solta. 

Eu sou poema quando passa o lavrador
Que se dirige ao campo para a terra abrir;
Sou poema quando vejo a selva a reflorir
E nela um melro que sublima a sua dor.

Eu sou poema nas crianças que à escola vão
Vestidas p´ la sacola que o seu destino leva;
Sou poema quando sei que continua a treva
Neste mundo em que a fome vai pedindo esmola.

Eu sou poema nos frios dias e nas frias noites
Que têm humanas vidas sempre solitárias;
Sou poema nas alegrias e nas paixões várias
Que acorrentam os pobres cingidos por açoites.

Eu sou poema no corpo dos desventurados
Que em toda a terra se revestem de amargura;
Sou poema nas máscaras da vil tortura
E na procela dos sem-nome injustiçados.

Eu sou poema nos chagados p´ la desgraça
E no estertor do frio e chuva intermitente;
Sou poema no choro de quem não é gente
Andando pelo mundo nu de praça em praça. 

Eu sou poema na silhueta das ermidas,
Na fé das romarias e crença no rosário;
Sou poema no estatuto do gene perdulário
E das juradas leis rasgadas e esquecidas.

Eu sou poema quando topo na erma travessia
As insondáveis circunstâncias da existência;
E o que me ocorre nesta incerta emergência 
É oferecer-me de holocausto p´ la Poesia.

Eu sou poema duma saudade com raiz
Nas tradições populares repletas de cultura;
E, nas asas do sonho de louca aventura,
Poema-canção da minha terra e do meu país! 

Frassino Machado
In CANÇÃO DA TERRA