2018/07/29

APRENDENDO PELAS ASAS DE UM TEMPO TEU A VOAR


Imagem - ECLiP$E 


APRENDENDO PELAS ASAS
DE UM TEMPO TEU A VOAR


Solta a alma, pela janela de outra vida,
Libertando teu coração aprisionado,
Pelo doce voo de um mar enamorado.
Vai, sem receio, alada pela loucura desmedida,

Enfrenta com serenidade a fúria do mar
Libertando ligeiramente as ondas salgadas
Pelo vento que circunda as asas de um amar.
Vai, sem pressa de voltar às janelas fechadas,

As malfadadas que te tomam os dias
E surrupiam os mais belos momentos.
Porque não deixas o Sol entrar pelas poesias

Que hão-de ser outro mar? A visão de artista
Certo dia existirá, e a olhos vistos,
Tal a beleza de uma natureza que conquista.

Solta a alma, pela janela de outra vida,
Aprendendo pelas asas de um tempo teu a voar.

© Ró Mar

2018/05/28

AMADA POESIA




AMADA POESIA 


Ó minha amada Poesia
É a ti que minh´ alma adora 
E é por ti com energia 
Que sempre luto a cada a hora!

Nesta manhã de sol brilhante
Inflamado de harmonia
Eu te louvo esfuziante
Ó minha amada Poesia.

Acolhe, pois, este meu preito
Numa esperança que aflora
E te juro, dentro do peito,
É a ti que minh´ alma adora.

Neste mundo desvirtuado
Que minimiza a Poesia
Repara qu´ estou apaixonado
E é por ti, com energia.

Nesta ridente primavera
Em que todo o ser s´ enamora
É num testemunho-quimera
Que sempre luto a cada hora.

Nada acontece por acaso
Neste humanizado universo
Desça à terra o meu Parnaso
Para enobrecer cada verso.

Ó Poesia, ó minha Diva
Co´ as minhas musas mais discretas,
Quero cantar numa alma viva
Este meu louvor aos poetas.

E, com este mesmo objectivo,
Tu, ó Calíope protectora
Dá-me, em sagrado lenitivo,
A tua bênção nesta Hora!

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA 

2018/04/22

TEMPLO DO AMOR


Ilustração de SVETLANA VALUEVA


TEMPLO DO AMOR


Faço do meu peito
Um velho templo tibetano
Onde eu com preceito
Saboreio o silêncio humano
Gosto de ouvir apenas
O ténue ruído das aranhas
Tecendo o esboço dos poemas
Que saem das minhas entranhas
Quero sentir-me monge!
Beijar as aves no céu
Que voam alto e longe
Preciso do perfume da flor
Nascida no cume da montanha
Onde voa o nobre condor
E tu exibes uma dança estranha
Com o teu charme sedutor
Que faz abrir o meu peito
Como um templo do amor
Quero sentir-me monge!
Beijar as aves no céu
Que voam alto e longe
Do meu ser pecador de réu
Que escreve com fervor
Este poema como troféu
Neste dia de cinzenta cor
Onde o azul fugiu do céu
Para a tela de um pintor
Quero sentir-me monge!
Beijar as aves no céu
Que voam alto e longe
Do mundo cruel e estranho
Quero sentir-me monge!
Num templo tibetano
Para apreciar a beleza
Do teu interior humano
Preciso da leveza
Do voo sagrado do condor 
E da fina delicadeza
Dos beijos de doce sabor
Que saboreio em silêncio
No templo do amor.

Joaquim Jorge de Oliveira

2017/12/30

FLOR DE LÓTUS




FLOR DE LÓTUS 


Ah, genuína beleza, a silhueta,
Alma perene duma fonte santa
Qu'embala o sonho p'lo coração,
A eleita, misterioso seu botão!

Olhar-te, minha flor de manhã anil,
Adormecer p'lo teu frescor amante,
E adivinhar o teu corpo macio
É sonho que todo ser tem p'la mente.

E, eu sonho p'lo mistério ante pétalas,
Duma grã-natureza, quem criou
Tão doces olhos e me acordou,

Q'outro dia cândido assim olhou!
Era a visão dum universo, que me sou,
Que gravou Flor de Lótus p'las memórias.

© Ró Mar